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sábado, 26 de outubro de 2019

Sufoco

Por Priscila Rebeca Siqueira, 2.11

 

Sufoco


As gotas caem
Os olhos marejam
Até quando vou tentar ser
O que querem que eu seja?

Sufocam minha essência
Tiram meu ponto de Fuga
O mundo é doente
Mas ninguém leva a culpa

Escrevo poemas
Com versos reais
Só entende quem quer
Ou quem finge de mais

Já li versos clichês
Já escrevi canções de amor
Mas os versos que escrevo
São os versos da dor.

Despersonalização

Por Vitória Maria Gava Ferreira, 2.14

 

Despersonalização


Tudo estava bem
Mas é assim que as coisas ruins
Começam
Os sentimentos se movem, eclodem, explodem
Se mesclam
E tantas linhas misturadas na confusão da minha cabeça
Me disseram novamente
Não vai entender até que cresça
Cresci?
Porque eu já não sinto nada
A solidão não me indaga
Uma mentira não estraga
E a voz da minha cabeça
Já não me maltrata
Mas fica calada
Então eu não sei
Por quem estou sendo controlada
Corri pela casa, toquei violão pelada
Não me senti envergonhada
Só quando me comove
A água me tocava
No banho que eu tomava
Escorria pelo corpo
A alma não ria de novo
E eu presa nos ladrilhos frios do banheiro
Paralisada, olhando a água jorrar do chuveiro
Naquele momento eu quase entrei em desespero
Mas juro, era só água percorrendo o corpo inteiro
Até me convenci de que eu estava morta
Que vagava pelo mundo como uma remota
Só via preto e branco, esqueci das aquarelas
Talvez eu tenha pensado em realidades paralelas
Depois fiquei orgulhosa, escrevi muito sentindo pouco
E cheguei à conclusão que meu banho é meio louco
Pensei que o monstro fosse “Ser ou não ser?”
Mas passei desta fase
Quando você está programado pra morrer?

Arte

Ariane Nathali de Campos, 3.3


Arte

Washington José dos Reis, 3.3


Arte

Matheus Vinícius Julião, 2.13


Arte

Raísa Estevão de Oliveira, 3.2


Arte

Kamilly Mara dos Santos Lopes, 1.7


Arte

Pedro Henrique Vieira, 1.4


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

A canção humanamente modificada


Por Juliane Camilly Lasnou Costa, 2.13

 

A canção humanamente modificada

Minha terra sem palmeiras,
Onde é extinto o Sabiá;
As árvores que aqui queimam,
Sempre queimaram como lá.

Nossos céus escureceram,
Nossas flores virou pó,
Nossos bosques incendiaram,
Nossa vida deu um nó.

Em  pensamento, sozinha, sempre,
O desgosto eu encontro cá;
Minha terra sem palmeiras,
Onde é extinto o Sabiá.

Minha terra tem agricultores,
Que tais querem a vida ceifar;
Sempre em busca de seus valores
Sem se quer na mãe natureza pensar;
Minha terra sem palmeiras,
Onde é extinto o Sabiá.

Não permitem meus amores,
Que furtem nosso lar;
De graça recebemos primores
E de graça estamos a dar;
À nossa selva Amazônica,
Onde é extinto o Sabiá.


A voz da floresta

Por Cássia Feliciano Duarte, 2.13

 

A voz da floresta


Eu era apenas uma árvore em meio as outras Estava tudo bem;
Foi quando senti meus cachos mais quentes, Foi quando animais começaram a correr,
Foi quando minhas folhas queimaram.

Eu tinha saído para buscar comida para meu filhote;
Foi quando já não se podia mais ver as árvores,
Foi quando todos estavam em desespero,
Foi quando outros filhotes se perderam de suas mães;
Foi quando nossos lares foram totalmente destruídos.

Eu era apenas um filhote que tinha nascido; Eu queria ver a primavera,
Queria ver as flores nascerem e os pássaros voarem;
Foi quando as flores estavam morrendo,
Os pássaros não cantavam mais;
Foi quando meu lar foi destruído pelo fogo,
E aos poucos a vida foi deixando de existir.

Chuva

Por Priscila Rebeca Siqueira, 2.11

 

Chuva


A chuva cai lá fora
eu não posso me molhar
Impotência
Não sei por onde passar

Quero correr pra chuva
sentir cada gota escorrer
Não me imagino de outro jeito
É tão difícil não saber o porquê

Quando falo não penso
Quando penso não falo
Poesia é livre
Inconstante procura

A procura do novo
A procura da fuga
Quem sabe a chuva molha
E eu encontro a ajuda

Por Milene Carolina da Silva, 2.13

 


Querida vovó,
Você é dura às vezes é às vezes me pergunto o porquê
O seu passado sofrido fez seu coração endurecer?

Querida mamãe,
Você teve uma infância difícil, dói lembrar os tempos ruins
Mas você foi forte desde o início.

Querido papai,
Você esteve ausente
Não te imagino no meu presente.

Querida irmã,                                                                                                                                  
Você tem medo de ficar sozinha
Mas não consegue ser uma boa filha 
Mesmo sendo boa na cozinha
Você não conseguiu se amar ainda.

Querida eu,
Você realmente se cortou.
Você viu o quanto doeu.
Não foi a dor física que te fez sofrer
Foi a dor de pensar em morrer
A dor de pensar que se cortar nada iria resolver.

Querido leitor,
A intenção é te fazer entender
Se cortar e sofrer.
Você pode me ignorar
Mas a dor vai permanecer em você.
Não é tarde para recomeçar
Mas só depende de você.
Você não está apenas se matando
Você está levando junto as pessoas que amam você.


Essa tal de empatia


Por Vitória Maria Gava Ferreira, 2.14

 

Essa tal de empatia

Que sentimento estranho
Que corre pelo corpo
Não sei o que está acontecendo
Não quero isso de novo
É péssimo não entender alguém
Mas o pior é que
Nunca se vai entender
Não tem como alguém
Enxergar com os meus olhos
Não tem como alguém me ser
Tudo que temos é o que o outro
Tem a nos dizer
Mas como pode se confiar em outrem?
O que dizem não é o que fazem
O que fazem não é o que pensam
O que pensam?
Ninguém sabe
O que pensam…

Arte

Washington José dos Reis, 3.3