[Por Senhorita A.] | 26 de maio de 2026 |
Adoraria continuar participando
Era uma manhã chuvosa. Eu assistia a um desenho animado, o nome não me recordo, mas lembro que havia um menino voador e uma Terra do Nunca. Sempre quis ir para lá; parecia o lugar adequado para mim.
De repente, o sol saiu. Corri para a janela, esticando os pés ao máximo que podia, e finalmente consegui contemplar minha imagem favorita: as gotas de água nas folhas das árvores brilhavam e os pássaros saíam voando, como se estivessem presos há décadas pelas correntes da chuva. O verde era mais verde, o azul, mais azul, e as nuvens simplesmente sumiram.
Eu me senti viva ali. Lembro perfeitamente daquela sensação de pertencimento, como se fizesse parte de uma comemoração. "Também estou feliz que a chuva passou", pensei.
Fiquei tão radiante que quis contar a alguém. Entusiasmada, me aproximei de minha prima mais velha, a senhorita P. Ela nem sequer tirou os olhos do celular enquanto dizia me ouvir. Contei sobre como pude comemorar com os pássaros e as folhas.
Ela riu. Um deboche só.
— Você é tão criança, senhorita A.
Aquelas palavras me atordoaram. Por muito tempo, não contei para ninguém sobre as coisas de que participava. Olhando para trás, percebo quanta beleza vivi em silêncio, por medo de parecer infantil demais. Mas a verdade é que quase posso ouvir as nuvens se movendo com o vento, e as formigas fazendo cócegas na grama! Apesar de ninguém ter me ouvido na época, e mesmo sabendo que muitos ainda não me ouvirão, decido continuar participando de tudo da mesma forma.
Se ver a vida com um pouco mais de vida é coisa de criança, então eu gostaria de ser como o menino voador.
Ass: senhorita A