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terça-feira, 29 de março de 2016

Coluna Aleatoriamente - Cinco coisas que a ciência descobriu sobre os homens



1º. Os ricos e bonitos não estão com tudo! Pesquisadores da Universidade de Liverpool e Central Lencashire revelaram que, quando elas querem um vínculo duradouro, não dão preferência pra os ricos e bonitos. Isso porque, conscientemente, elas acham que esse tipo de homem está mais propício a cair na tentação e abandonar seus relacionamentos.
2º. Socar as coisas faz eles se sentirem bem. Demonstrações de agressividade não só fazem parte do comportamento masculino, como ajudam a restaurar o status de “macho” quando são ameaçados ou sua virilidade é questionada.
3º. Os ricos preferem as magras. Quando o assunto é a preferência pelas cheinhas ou magrinhas, a escolha está relacionada com o tanto de dinheiro eles têm na carteira. Pesquisadores dizem que os mais ricos costumam optar pelas mais esbeltas, enquanto os pobretões curtem as mais “fofinhas”.
4º. Eles se distraem “facinho”. Uma pesquisa revelou que quando as apresentadoras dos jornais são mais bonitas eles não conseguem prestar tanta atenção nas notícias e se esquecem das informações que escutaram.
5º. Popularidade deixa os homens bobocas. Na maioria dos comerciais, eles fazem papel de patetas, mas, apesar de serem divertidos, pesquisadores não acham que esse humor todo seja muito positivo. Acontece que as crianças assistem a muita TV e, além de engraçados, os rapazes são colocados como bobocas. Isso tem importantes implicações nos papéis exercidos por homens em mulheres 

Coluna Sociedade - A “era” pós-internet




A evolução tecnológica trouxe inúmeros adventos para nossa vida diária: a medicina é capaz de curar diversas doenças, as distâncias "diminuíram", a segurança ganhou um novo padrão, as máquinas realizam trabalhos por nós... Essas são apenas algumas facilidades que a tecnologia nos proporciona. Porém, nem tudo são flores, já dizia o velho ditado, "todo bônus gera um ônus"... 
As pessoas, principalmente os jovens, estão presas à tecnologia e não se importam com o mundo exterior. Atualmente, elas vivem num mundo virtual, onde tudo é perfeito, não há mais diálogo... Aí é que entra a questão: você já notou o quanto de sabedoria os seus pais, avós, tios e tias têm para transmitir?      
Num tempo anterior à internet, as pessoas conversavam, tinham uma vida social, alimentavam-se bem, praticavam esportes, as crianças interagiam umas com as outras, os avós se reuniam com os netos para contar histórias... Não existia essa busca fanática por sinal de Wi-Fi, por uma tomada, seja ela para plugar o notebook ou para carregar o smartphone. Verdadeiramente havia vida... Hoje em dia a realidade é outra, crianças, ao invés de brincar, correr e pular, estão ficando com seus rostos quadrados ou retangulares, de tanto ficarem vidradas nas telas de seus gadgets. O carrinho de brinquedo dos meninos, a boneca das meninas, enfim, aqueles brinquedos que faziam a festa da criançada, foram substituídos pelos celulares modernos, pelos tablets e notebooks, os animaizinhos e as brincadeiras se tornaram virtuais...    
A tentativa de mudar tudo isso seria frustrada. Todos esses fatos... São muitas coisas a serem resolvidas, muitas esperanças, mas poucos resultados. É como um rio que flui e, a cada tentativa, uma pedra é lançada, criando uma ondulação, e o rio a corrige normalmente e continua fluindo. Portanto, procure sua própria e individual felicidade ao invés de se ocupar, no futuro, com tentativas de reverter a realidade.

Sucesso

POR WANDERSON FERNANDES DA SILVA, 3.2


Então, você quer ter sucesso? Deixe-me dissertar um pouco sobre o mesmo. Sucesso tem a ver com persistência, com você fazer o que tiver que ser feito, custe o que custar, mesmo que você não queira fazer, mesmo que você tenha preguiça, mesmo que você ache que o mundo inteiro esteja a o derrubar. 
Só alcança o sucesso aquele que por sua escolha decide abrir mão de certos lazeres só para alcançar seu objetivo. Deixar de sair no domingo com os amigos é difícil, eu sei, mas se você quer ter sucesso, escolhas extremas terão que ser feitas, não basta querer alcançar o topo, tem que levantar e ir atrás, superar obstáculos, mostrar determinação e capacidade para estar no auge.
Você quer ter sucesso? Então, pare de ficar criando histórias na sua cabeça, seja mais objetivo e menos subjetivo, acorde de manhã e faça o que tiver que ser feito, não espere que os outros façam por você. Pois só assim todos seus sonhos e metas estarão cada vez mais e mais perto. Não espere que alguém o motive, não espere que a sua namorada venha motivá-lo, que a sua mãe venha  motivá-lo, que seu chefe ou líder diga algo motivador. Não, não espere. Apenas vá fazer.
Você quer mesmo sucesso? Deixa eu lhe falar algo sobre sucesso: chegar lá vai ser muito difícil, vai ser desafiador e desmotivador. Sabe por quê? Porque isso é um esporte para poucos, poucas pessoas conseguem superar o Himalaia, ar rarefeito, baixa temperatura, pouco alimento, medo de deslizamento, dificuldades o tempo todo. Ir até lá é fácil, porém poucas pessoas chegam ao topo, e chegar ao topo é ter sucesso.
Chegar ao topo é mostrar capacidade, chegar ao topo é ter a audácia de bater no peito e se orgulhar do feito. Se você quer obter o sucesso, terá que abrir mão de certas regalias. Pois para ser reconhecido pelos seus atos e feitos, tem que ter dedicação e determinação, com isso, certamente o sucesso virá.
Você sabia que para obter sucesso os atletas olímpicos abrem mão de ‘’tudo’’? E você, está a fim de abrir mão de certas coisas? Você quer ter sucesso, mas não quer se empenhar. Pessoas que conseguem, por meio do seu esforço e suor, ter sucesso, são reconhecidas pela sociedade, ganham homenagens e elogios, são uma inspiração para as outras pessoas.
Sucesso, um esporte para poucos, pense nisso! Ter sucesso é persistir, mesmo que todos da sua escola ou empresa, por terem obstáculos à sua frente, pensem em desistir, você mostra audácia e avança sem medo. Cada passo para frente que você dá, deixa-o mais forte, obstinado a seguir em frente, até quando ninguém mais acredita na sua capacidade. Quer ter sucesso? Simplesmente dê o seu máximo!

A visão do horizonte

POR DENER DOS SANTOS PEREIRA, 3.2


Da vida, surge o grande universo, no qual se contempla grande imensidão dando vida e cores aos pequenos olhos e expandindo a sua imensidão. 
Olhamos para o jardim, assim como nós, do barro, nasceu o jasmim. A vida é como se você olhasse todos os dias para aquele grande horizonte, o qual sua visão alcançaria a longa distância, assim como sobrevoa a asa de um pássaro sobre toda beleza, e toda a realidade.
Da vida surgiram os grandes e pequenos seres, dando alegria de enaltecer a cada beleza que um demostrava por suas formas tão diferentes, porém a sua luz são do mesmo reflexo que as fazem brilhar.

Amigos

POR KÊNIA LORRAYNE DE OLIVEIRA SILVA, 3.2

Amigos, amigos

O que seria da minha vida sem vocês?
Um vazio enorme, talvez
O que seria do universo sem vocês?
Um caos total, talvez

Amigos, amigo
Antes loucos do que falsos
Antes feios, mas humildes
Antes chatos, porém ousados

Amigos, amigos
O que eles são para mim?
Uma parte do meu coração
Uma melodia, uma canção
Um primo distante
Considerado como irmão

Irmãos mais novos
Com os quais eu me preocupo
Portanto, fazem parte do meu mundo

Fácil fazer chorar, difícil fazer sorrir...

POR SUELEN APARECIDA DA SILVA COSTA, 1.8


De que adianta a vida ser boa no começo, sendo que um dia você vai sofrer por um amor não correspondido? Mas não desista daquilo que realmente você ama, lute enquanto tiver forças ou desista e nunca mais conseguirá dizer que foi forte o bastante.
Pois, se lutar, você vencerá; e se desistir, jamais saberá se iria conseguir!
Amar é... saber compartilhar o sentimento e saber fazer feliz quem está do seu lado, dando a volta por cima dos maus momentos e saber perdoar sem se lembrar do passado.
Lembre-se de que você pode não ser o bastante para ser amada, mas é o bastante para ser o amor de alguém!
Anjos existem, muitas vezes sem asas, e passamos a chamá-los de amigos. 

Arte

Luciano Reis Ferreira, 3.3


Arte

Jhenyffer Luyze, 8.2


Arte

Washington José dos Reis, 9.1


Arte


Matheus Luan da Silva Paiva, 3.2

sexta-feira, 18 de março de 2016

Arte

Marcos Túlio, 2.5


Arte

Bruno Henrique de Souza Silva, 2.5

Arte

Luciano Reis Ferreira, 3.3

Arte

Matheus Luan da Silva Paiva, 3.2



Reportagem - Comemoração do oitavo ano do Tribuna Estudantil

COMEMORAÇÃO DO 8º ANO DO TRIBUNA ESTUDANTIL 

Por Carla Cristina de Souza Marques
 
Há exatos oito anos, deu-se início a história do jornal “Tribuna Estudantil”, na Escola Estadual “Henrique Diniz”.
Criado pela professora de português, Paula Campos, o jornal contribuiu para diminuir a “distância” entre os alunos e a escola. Ele é um meio informativo aberto para todo o ambiente escolar e que ao longo dos anos revela vários talentos. 
Percebe-se que há um grande interesse por parte dos alunos em levar conteúdos novos para os demais, seja em forma de textos, canções, poesias ou desenhos.
A cada material exposto, é possível observar a dedicação dos alunos em querer mostrar seus trabalhos. 
Como prova disso, eu mesma pude aperfeiçoar meu talento usando o espaço do jornal. Desde pequena, eu tenho afeição por escrever textos, poemas e, recentemente, compor músicas.
Quando dedicamos nosso tempo para fazer algo que terá retorno não só para nós, mas também para os demais, é sem dúvida gratificante.
Vivenciando a chamada Geração Z, com a tecnologia e a praticidade obtidas pelos aparelhos eletrônicos móveis, é fundamental destacar a importância de um projeto como o jornal, através do qual não é deixado de lado o hábito de manuscrever textos, uma vez que as pessoas, em especial os jovens, perdem esse hábito, pelo fato de digitarem mensagens e textos online.
Todas as escolas deveriam ter um jornal: uma iniciativa que só traz benefícios para todos. Esperamos que novos talentos sejam descobertos e que cada vez mais o Tribuna Estudantil cresça. 


Carla cristina de Souza Marques é aluna do 3º ano 1 e é escritora do jornal há três anos

Coluna Aviação - Heróis da Segunda Grande Guerra











A Coluna Aviação do jornal Tribuna Estudantil traz agora nos próximos textos a série Heróis da Segunda Guerra, fazendo um tributo a inúmeros aviões. E vamos começar com o lendário P-51 Mustang, avião de guerra preferido do nosso vice-diretor Felipe.
O Mustang foi criado e desenvolvido pelos EUA para os ingleses, mas essa versão “britânica” tinha motor fraco, que só conseguia altas velocidades a baixa altura, fazendo, assim, do Mustang, um avião de interceptação e não um caça.
Com a entrada dos EUA na guerra, iniciou-se uma campanha de bombardeio tanto na Europa, quanto no Pacífico. Só que a USAF tinha apenas caças P-47 Thunderbolt, de autonomia limitada. Com isso, os EUA optaram por escoltar seus bombardeiros com caças Mustang, mas, com a deficiência de potência, os americanos modificaram o projeto, adicionando asas de fluxo laminar (item que aumenta a velocidade e economiza combustível), um canopy em bolha para se ter melhor visibilidade e o motor do Avro Lancaster*, o Rolls Royce Merlin. Isso deu altas velocidades ao Mustang, mesmo a 20.000 pés de altura, estendendo sua autonomia a 2.000km (com tanques externos), podendo, assim, escoltar os bombardeiros da Inglaterra até Berlim e da China até o Japão, ida e volta.
Este é o primeiro texto da série que, em breve, voará pela Alemanha nazista e pela União Soviética.

*Avião de bombardeio pesado inglês

Coluna Série Desafio - Atravessando o rio


Resposta do desafio anterior: No desafio anterior foram dados cinco triângulos com seus respectivos valores. O desafio consistia em você achar qual era o valor que estava faltando e, para chegar à resposta, bastava multiplicar os números dos vértices da base e depois pegar o número que está no vértice de cima e subtrair do resultado da multiplicação. Resolução: (9 x 3 = 27) e (27 - 2 = 25) logo a resposta é 25.











Nível: Fácil

Um pescador está do lado de um rio. Ele tem um barco e precisa levar um saco de milho, uma galinha e uma raposa para o outro lado. O barco só aguenta o pescador e mais alguma coisa (milho, a galinha ou a raposa). 
Ele não pode deixar a galinha com o milho, porque a galinha comeria o milho, e nem pode deixar a galinha com a raposa, se não a raposa comeria a galinha. O que ele deve fazer?
Obs: As respostas serão recolhidas pelos representantes de cada turma e serão entregues aos responsáveis da coluna. A resolução do desafio deverá conter uma explicação de como chegaram à resposta. Vocês verão a revelação deste desafio juntamente com o próximo que será divulgado. Ao término do ano letivo, aquele participante que obtiver uma pontuação de destaque será premiado.

terça-feira, 15 de março de 2016

João Bosco e Vinícius

POR CARLA CRISTINA DE SOUZA MARQUES, 3.1

João Bosco Homem de carvalho Filho, nascido no dia 11 de setembro de 1981, na cidade de Rondonópolis, no estado de Mato Grosso, e Vinícius Fernando Karlinke, nascido no dia 31 de dezembro de 1980, na cidade de Naviraí, no estado do Mato Grosso do Sul, formam uma das maiores duplas sertanejas no cenário musical brasileiro.
João e Vinícius se conheceram na cidade de Coxim, MS, no ano de 1991, ambos com dez anos de idade. Em 1994, eles participaram do “Festival da Canção” como adversários, entre outros competidores. Ao final do festival, eles terminaram empatados em segundo lugar e, ao verem o potencial diferenciado dos garotos, suas famílias os incentivaram a formarem uma dupla.
Já com a dupla formada e um caminho já percorrido, eles deixaram as pequenas participações em festivais e começaram a se apresentar em bares e eventos nas regiões de Mato Grosso do Sul. Com o decorrer dos anos, eles se mudaram do interior para a capital sul-matogrossense, Campo Grande.
Iniciaram suas vidas universitárias. João Bosco, cursando Odontologia, e Vinícius, fisioterapia. Mas quando o público passou a ser formado pelos universitários, e em grande número, eles tiveram que tomar uma decisão importante. João Bosco concluiu o curso de Odontologia e chegou a abrir um consultório; já Vinícius trancou sua faculdade para se dedicar somente à música.
Os dois optaram pela música como profissão e tiveram uma sábia escolha. Já com sucesso, a dupla gravou seu primeiro álbum “Acústico no bar” (2002). De cada dez CDs vendidos em camelôs e feiras, oito eram da dupla. O álbum chegou à marca de 40 mil cópias vendidas no estado do Mato Grosso do Sul. De lá para cá, a dupla emplacou grandes sucessos, entre eles “Chora, me liga”, “Falando Sério”, “Abelha”, “Chuva”, “Tema diferente”, “Amiga linda”, “Ponto Fraco”.
Atualmente, são a dupla que está no ranking entre as que mais possuem seguidores nas redes sociais e, a cada dia, eles enchem mais seus fãs de orgulho.

Leitura base para alguns textos livres publicados hoje

O texto O homem nu, de Fernando Sabino, foi trabalho por mim na turma 2.6. Após sua leitura, os alunos tiveram que reescrever a história, adotando um foco narrativo diferente. Para que possam entender melhor alguns textos publicados hoje, segue o conto original:

O Homem Nu

Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa.  Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.   Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.  Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...  Desta vez, era o homem da televisão!
Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não!  — fez o homem nu, sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.  Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.  Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?  Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso.  — Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.



Um homem nu

POR ANA CAROLINA BARROS SIMÃO, 2.6

Eu sempre estive aqui tranquila no meu canto, indo para frente ou para trás enquanto me puxavam. “Seria uma manhã igual às outras”, pensava eu, mas algo inusitado aconteceu.
Muda como sempre, presenciei todo o acontecimento e escutei toda a conversa entre o homem que estava preocupado em não parecer ser um vigarista para o cobrador da prestação da televisão e a sua mulher, que o pedia para explicar sua situação ao cobrador.
Vi quando o homem despiu-se de seu pijama e foi em direção ao banheiro, longe da minha visão. Achei que ele iria tomar banho, por isso não entendi porque voltou de lá tão rápido. Ele colocou a água para fazer o café e me puxou para que pudesse apanhar o embrulho de pão que estava a uns 30 centímetros de mim. Pouco depois de ele apanhar o embrulho do pão, o vento soprou forte e me arrastou para trás. 
Pude ver o pânico em seus olhos. Eu queria ajudá-lo, mas não tive forças para ir para frente. Precipitadamente, tocou a campainha e gritou por sua mulher, mas ela não ouviu porque estava tomando banho. Enquanto batia em mim o barulho da água cessou.
Podíamos escutar a porta do elevador fechando-se lá em baixo. “Alguém estava subindo”. Desesperado, o homem pensou ser o cobrador e se escondeu no lanço da escada, mas não era. Ele voltou e ficou à minha frente cobrindo-se com o embrulho do pão. Foi quando, de repente, ouviram-se pessoas na escada. Desesperado, entrou no elevador e só pude vê-lo outra vez quando voltou e começou a gritar por sua mulher de novo, mas, desta vez, sem nenhuma cautela, me esmurrando.
Uma senhora atrás dele abriu a porta. Inutilmente, tentou cobrir-se com o embrulho de pão, e logo a velha começou a gritar. Foi quando os vizinhos saíram para ver o que acontecia.
Senti alguém me puxando. Era sua mulher, o homem correu para dentro e se vestiu. Poucos minutos depois a paz foi restabelecida e houve calma em todo corredor. Alguém bateu em mim, era o cobrador.

• Texto baseado na obra O homem nu, de Fernando Sabino.